CRB-8 Digital, São Paulo, v. 1, n. 3, p. 45-48, dez. 2008 | http://www.crb8.org.br/ojs/crb8digital
Relatos de Experiência
Roseli Venâncio Pedroso
Bibliotecária
Colégio Dante Alighieri
Resumo: O advento das novas tecnologias está mudando a rotina de trabalho na educação. A biblioteca inserida no contexto escolar segue acompanhando as mudanças, se adequando e utilizando tais instrumentos pedagógicos no caso, o blog como forma de informar e interagir com seus usuários.
Palavras-chave: Blog; Educação; Tecnologias; Biblioteca escolar; Bibliotecário.
1 INTRODUCÃO
No painel mundial, a educação vive um período de grande revolução que traz em sua bagagem esperanças de melhorias, mas também uma dose razoável de incertezas. Novas teorias pedagógicas, novos paradigmas, buscas incessantes de respostas para velhos problemas que trazem um estresse muito grande para todos que fazem parte dessa grande família educacional. Um dos aspectos que tem trazido muitas incertezas e insegurança (pelo menos aqui entre nos brasileiros) e a presença cada vez maior de novas tecnologias no cotidiano escolar. O uso de computadores em sala de aula e a utilização de vídeo e áudio são cada vez mais presentes nas escolas particulares e, aos poucos, estão se introduzindo na rotina escolar pública.
2 BIBLIOTECA NO CONTEXTO ESCOLAR
Observando todo esse cenário na escola, a biblioteca não pode e nem deve ficar isolada do resto. Seu dever é acompanhar todo o processo de informatização e adequação às novas tecnologias educacionais. Até o momento, as bibliotecas escolares espalhadas por todo o país continuam a ter um perfil tradicional e obsoleto que não condiz mais com o perfil exigido pelas propostas pedagógicas atuais. Nas cidades mais desenvolvidas, algumas escolas privadas já se aperceberam dessa necessidade e tem hoje bibliotecas modelos com modernas instalações e uma equipe adequada para atender a demanda de seus usuários. Entretanto, a situação das escolas públicas e ainda mais penosa, pois são carentes em todos os sentidos. Bibliotecas ou salas de leitura são mais raras ainda; tem como símbolo uma chave indicando que esses espaços continuam sendo de difícil acesso aos alunos, pois quase sempre não contam com um profissional para tomar conta e fazer com que funcione a contento.
A presença de um bibliotecário, então, é algo inexistente. Professores que, por qualquer motivo, são deslocados de suas funções pedagógicas para assumirem o cargo de administradores desses espaços, muitas vezes se veem perdidos no meio dos livros sem saber ao certo o que fazer, como fazer nem por onde começar. Ao expressar essa realidade não se deve generalizar, pois algumas exceções ocorrem mostrando exemplos e projetos belíssimos e com ótimos resultados. Contudo, são casos raros e não podem servir como parâmetro para mostrar a realidade das demais bibliotecas escolares.
3 O PAPEL DO BIBLIOTECÁRIO
Com tantas mudanças ocorrendo, esse profissional tem a necessidade de se adequar às novas tecnologias e se adaptar a novas formas de trabalho que ajudem a divulgar, disseminar e servir de vitrine sedutora de tudo o que a biblioteca possa oferecer em serviços a seus usuários. Vivenciando a realidade da cibercultura, o bibliotecário deve acompanhar a evolução tecnológica buscando reinventar a cada dia sua profissão através de constante estudo e aprendizado na área tecnológica. Para tanto, a participação em grupos, a leitura de periódicos e a busca incessante de novos aprendizados fazem do bibliotecário escolar um mediador a altura de seus novos usuários. O jovem sabe usar o computador e navegar em todas as páginas existentes com uma destreza infinita, conhecendo muito bem as linguagens do mundo virtual. Aí, se faz necessário para acompanhar, orientar e mediar esse usuário, um profissional (no caso, o bibliotecário) com o perfil semelhante. Com a diferença de que, em seu caso, detém o conhecimento e as diversas formas de auxiliar ao jovem estudante como também a toda equipe pedagógica a melhor forma de se fazer uma pesquisa.
Portanto, o bibliotecário que deseja atuar com dinamismo e presteza junto à equipe pedagógica e aos alunos deve se colocar como um mediador entre a comunidade escolar e o conhecimento humano em seus mais diversos formatos (seja ele em formato de livros, periódicos ou em registros on-line). E aqui que inicio falando da utilização do blog como forma de divulgação da biblioteca para toda a comunidade escolar, para os pais e também para todos que navegam por esse grande e infinito universo on-line.
4 O QUE É BLOG?
Weblog ou blog, como hoje é mais conhecido, é um tipo de publicação on-line relativamente recente que vem ganhando espaço. Tem sua origem no hábito de alguns pioneiros de logar (entrar, conectar ou gravar) a web, fazer anotações, transcrever, comentar os caminhos percorridos pelos espaços virtuais. Por isso mesmo, os blogs são denominados diários virtuais. O que até um tempo atrás era utilizado para escritos de ordem pessoal, hoje já se pode visualizar na web uma gama infinita de blogs corporativos, profissionais e educacionais, todos trazendo em suas paginas informações precisas, sérias e desenvolvidas por profissionais comprometidos com a informação. Um exemplo dessa modalidade de disseminação da informação que extrapola o espaço físico de uma sala de aula e o grupo de educadores blogueiros intitulado Blogs Educativos. Nesse grupo, além de professores também participam bibliotecários e demais profissionais que atuam de forma direta ou indireta com a educação. O blog Bibliotequices & Afins faz parte desse grupo e sua proposta e de disseminar informações ligadas a bibliotecas (escolar e demais tipos), literatura, livros e tudo ligado a educação.
5 COMO SURGIU O BIBLIOTEQUICES & AFINS?
Em meados de setembro de 2007, a idéiacontatos com outros blogs. O vislumbre desse meio on-line interativo foi cativando e apos algumas tentativas e busca por um provedor, nasceu o Bibliotequices & Afins. Apesar de ter um perfil informativo, a idéia de um blog para divulgar o espaço de uma biblioteca e uma ótima forma de vender seu produto a esses clientes tão especiais que é composta pela comunidade escolar.
6 DE QUE FORMA SE PODE DESENVOLVER UM BLOG DA BIBLIOTECA?
Como um diário dos afazeres na biblioteca, o bibliotecário pode:
„X Apresentar o espaço, a equipe e os serviços prestados por ela;
„X Divulgar novos títulos que entram para fazer parte do acervo;
„X Informar sobre as atividades ligadas as matérias que serão trabalhadas;
„X Levantar enquetes sobre os mais diversos temas que interessem a todos;
„X Divulgar todos os trabalhos desenvolvidos na própria biblioteca tais como: roda de leitura, hora do conto, oficinas, exposições, feira de livro etc;
„X Expor dados estatísticos sobre quais livros são mais procurados e retirados, quais gêneros interessam mais a seus usuários, quais autores são mais procurados;
„X Divulgar sempre achados interessantes do mundo virtual e que sirvam para futuras pesquisas escolares.
Enfim, há uma infinita gama de possibilidades a se desenvolver num blog que represente o universo de uma biblioteca escolar. É preciso que o bibliotecário esteja sempre aberto a novidades em todos os setores e, hoje, mais do que nunca, aos diversos instrumentos tecnológicos que possibilitem facilidades e contribuam para o intercambio entre profissionais (bibliotecários e professores) e alunos no processo de aprendizagem.
REFERÊNCIAS
MACEDO, Neusa Dias de (Org.). Biblioteca escolar brasileira em debate: da memória profissional a um fórum virtual. São Paulo: Senac, 2005, p.167, 296, 297 e 360.
MANTOVANI, Ana Margo. Blogs na educação: construindo novos espaços de autoria na pratica pedagogia. Prisma.com: Revista de Ciências da Informação e da Comunicação do CETAC, n.3, out. 2006. Disponível em: <http://prisma.cetac.up.pt/artigospdf/18_ana_margo_mantovani_prisma.pdf >. Acesso em: 14 de ago. 2008.
SILVA, Marco (Org.). Educação online. São Paulo: Loyola, 2003.
TEDESCO, Juan Carlos (Org.). Educação e novas tecnologias: esperança ou incerteza? São Paulo: Cortez, 2004.
UNIVERSO EAD: o seu informativo de educação a distancia pelo SENAC SP. Blogs como ferramenta pedagógica. Agosto de 2005. Disponível em: <http://www.ead.sp.senac.br/newsletter/agosto05/destaque/destaque.htm>. Acesso em: 13 de ago. 2008.
VIDOTTI, Silvana Aparecida Bursite Gregorio (Coord.). Tecnologias e conteúdos informacionais. São Paulo: Polis, 2004.